Já é bem conhecido que o KT não
promove ganhos de força em indivíduos saudáveis. A revisão de Csapo e Alegre (2015)
concluiu que o uso da KT não promove nenhum benefício nos ganhos de força em
sujeitos adultos e saudáveis. O ensaio controlado e randomizado acima também reforça
esses resultados, além de que, quebra a tão propagada teoria do Kenzo Kase
sobre “inserção – origem”, “origem – inserção”.
“Há, mas o estudo acima foi
realizado com sujeitos saudáveis”. É importante não esquecer que houve um
estímulo vibratório no tendão patelar, com o objetivo de modificar a
propriocepção no sistema neuromuscular. Por exemplo, após um protocolo de
fadiga muscular em sujeitos saudáveis, Cavanaugh et al., (2016) encontraram que
a KT não modificou o sinal eletromiográfico do vasto lateral e medial e bíceps
femoral.
Por outro lado, Chan et al.
(2017) realizaram um ensaio controlado e randomizado com 60 sujeitos nas duas
primeiras semanas após a reconstrução do LCA (G1: reabilitação; G2:
reabilitação+KT). A KT promoveu redução dos sintomas de dor (EVA), mas não
alterou o edema, a função (Lysholm)
e a ADM total do joelho. Revisão sistemática e metanálise recente demonstrou
que a KT não alterou a força muscular do quadríceps e o desempenho no teste de
caminhada de 10 min em sujeitos com osteoartrite do joelho, mas parece ter
resultados positivos na dor e função auto reportada, em comparação com o grupo “sham”
(Lu et al., 2018). Esses resultados são consistentes em parte com a revisão
sistemática e metanálise de Ouyang et al. (2017), demonstrando que a KT não
alterou a função relacionada a subir escadas ou degraus na mesma população.
A questão aqui não é condenar o
material (fita elástica), mas sim sobre o modo que é usado e as indicações.
Pensar em “origem-inserção” ou “inserção-origem” anatômica, com o objetivo de
ativar ou relaxar a musculatura, isso não faz mais sentido (na verdade nunca
fez)! Talvez sim, possa ser uma ferramenta complementar para algumas
finalidades (ex: redução de estresse tecidual ou sintomas de dor), mas cabe ao
fisioterapeuta decidir quando aplicar (baseado em raciocínio clínico e
científico) e se existe outro recurso mais efetivo para o objetivo proposto.
Baixe aqui os artigos:
Vilela 2018
Csapo 2015
Cavanaugh 2016
Chan 2017
Lu 2018
Ouyang 2017

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