sábado, 17 de novembro de 2018

KTaping: diferentes tensões e direções influenciam na força e ADM ativa?



Já é bem conhecido que o KT não promove ganhos de força em indivíduos saudáveis. A revisão de Csapo e Alegre (2015) concluiu que o uso da KT não promove nenhum benefício nos ganhos de força em sujeitos adultos e saudáveis. O ensaio controlado e randomizado acima também reforça esses resultados, além de que, quebra a tão propagada teoria do Kenzo Kase sobre “inserção – origem”, “origem – inserção”.
“Há, mas o estudo acima foi realizado com sujeitos saudáveis”. É importante não esquecer que houve um estímulo vibratório no tendão patelar, com o objetivo de modificar a propriocepção no sistema neuromuscular. Por exemplo, após um protocolo de fadiga muscular em sujeitos saudáveis, Cavanaugh et al., (2016) encontraram que a KT não modificou o sinal eletromiográfico do vasto lateral e medial e bíceps femoral.
Por outro lado, Chan et al. (2017) realizaram um ensaio controlado e randomizado com 60 sujeitos nas duas primeiras semanas após a reconstrução do LCA (G1: reabilitação; G2: reabilitação+KT). A KT promoveu redução dos sintomas de dor (EVA), mas não alterou o edema, a função (Lysholm) e a ADM total do joelho. Revisão sistemática e metanálise recente demonstrou que a KT não alterou a força muscular do quadríceps e o desempenho no teste de caminhada de 10 min em sujeitos com osteoartrite do joelho, mas parece ter resultados positivos na dor e função auto reportada, em comparação com o grupo “sham” (Lu et al., 2018). Esses resultados são consistentes em parte com a revisão sistemática e metanálise de Ouyang et al. (2017), demonstrando que a KT não alterou a função relacionada a subir escadas ou degraus na mesma população.
A questão aqui não é condenar o material (fita elástica), mas sim sobre o modo que é usado e as indicações. Pensar em “origem-inserção” ou “inserção-origem” anatômica, com o objetivo de ativar ou relaxar a musculatura, isso não faz mais sentido (na verdade nunca fez)! Talvez sim, possa ser uma ferramenta complementar para algumas finalidades (ex: redução de estresse tecidual ou sintomas de dor), mas cabe ao fisioterapeuta decidir quando aplicar (baseado em raciocínio clínico e científico) e se existe outro recurso mais efetivo para o objetivo proposto.


Baixe aqui os artigos:

Vilela 2018

Csapo 2015

Cavanaugh 2016

Chan 2017

Lu 2018

Ouyang 2017

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